sexta-feira, janeiro 14, 2011

A praia

Apenas mais uma tormenta em meio ao oceano raivoso.

Tentáculos tentam arrancar os olhos daqueles que ousam olhar para a fera ensandecida.

Os dedos dormentes tentam inutilmente segurar o som borbulhante vindo da rosa que nasceu sobre a pedra. Nada a detém. Nem mesmo a fúria das ondas lacrimais que queimam os olhos já cegos.

A respiração pesada marca o compasso na areia. A sombra indica a direção. Está rachando! A rocha está rachando.... a rosa finalmente vai morrer.

Mas da rachadura surge um novo braço que se estica em direção ao abismo do céu. Inútil tentativa. Lá não é seu lugar.

Recua. Treme. Esmaga o que restou da rosa. Mais líquido vermelho.

Silêncio. Uma sombra se levanta trêmula como uma luz de vela. Ela está lá. Ela está rindo do desesperado. A rosa sobreviveu. Seus espinhos estão maiores.

Seus olhos são um mortífero convite para uma último abraço.

O coração desacelera... a vista fica turva... já não há mais nada... era apenas uma miragem.

Um filete de sangue vermelho escorre de um pequeno corte no braço.
Gostou?
Será Petróleo?